QUATÁ

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QUATÁ - Jardim Campineiro Campinas




Memorial

QUATÁ
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Jardim Campineiro Campinas

Prefeitura Municipal de Quatá

Rua General Marcondes Salgado, 332 - Centro
CEP: 19780-000
Fone: (18) 3366-9500
Site: www.quata.sp.gov.br
Email: prefeituraquata@quata.sp.gov.br

HISTÓRICO

 

OS FEROZES ÍNDIOS KAINGANGS - PRIMEIROS HABITANTES DESTAS TERRAS

Até o ano de 1818, havia registros da presença de índios no Rio do Peixe. Foi neste ano que os índios Kaingangs atacaram uma turma de Mesquita, no Rio do Peixe, em frente à Quatá. Eles realizavam serviço de levantamento do imóvel Monte Alegre, situado à margem direita deste rio.
Estes índios são ameríndios da Nação Gê.  No Estado do Paraná eram mais pacíficos. Depois do extermínio dos redutos Jesuítas de Vila Rica, Guaíra e Santo Inácio, numerosas famílias indígenas penetraram em território Paulista, e aqui eles se mostraram mais cruéis.
No início do século XIX, muitas famílias de Kaingangs ou “Coroados”, povoaram todo o ocidente do Estado de São Paulo, especialmente as bacias dos Rios do Peixe e Aguapeí (Feio).
A pré-história de Quatá, como a de toda a região Oeste do Estado de São Paulo, abrangida pelos Rios Aguapeí, do Peixe e Paranapanema, penetrando ao Sul no rumo de Campos Novos, hoje Estado do Paraná, pertencia ao império selvagem dos índios Kaingangs, ou Coroados, que ligavam as suas aldeias no sentido Norte-Sul, pôr uma trilha aberta na selva e conhecida pelo nome de “Caminho dos Macaúbas”.
Até o princípio do século XX, os mapas de São Paulo assinalavam essa imensa região, com uma expressão genérica e imprecisa: terras desconhecidas e habitadas pôr índios.
Os maiores problemas dos pioneiros vinham dos índios, sempre a espreita, no intrincado da floresta, ou nos campos a perder de vista. Não queriam os homens brancos nesse território de quem sempre foram os senhores absolutos.
Foi exatamente o que aconteceu com Manoel Pereira Alvim, o primeiro ocupante das terras quataenses nos idos de 1887, que se fixou com seus dois filhos e o genro, ao longo do Ribeirão Bugio, afluente do Rio São Matheus.
Atraído pelas notícias da existência de boas terras ocupáveis nessa região, de campos cortados por águas fáceis, que já haviam sido demarcadas em 1882, pôr uma Comissão encarregada de traçar a linha divisória do grande imóvel “Monte Alvão”, ponto de partida da história de Quatá.
O pioneiro Manoel Pereira Alvim plantou na área em que abriu a fazenda, 2.000 pés de café, os primeiros que os anais registram nessas alturas da zona sorocabana, além de Botucatu e Santa Cruz do Rio Pardo.
Os Caingangues não perdoaram o invasor e desfecharam ataque vandálico contra a recém aberta fazenda de café, e Manoel Pereira Alvim e seus companheiros e familiares, foram trucidados, a sede da fazenda e sua lavoura cafeeira queimadas.
Ainda hoje, quem passar pelos campos de curso inferior do Córrego Bugio, encontrará quatro cruzes toscas de aroeira, que demarcam o local do sacrifício desses pioneiros da ocupação branca das antigas terras desconhecidas.
Com seus grandes arcos e flechas, de pontas envenenadas, atacavam a franja pioneira, e no final dos combates, havia perdas nos dois lados da luta. Os índios acabariam sendo dominados.

A ORIGEM
A história de QUATÁ nos obriga a uma volta na história de aproximadamente dois séculos depois do descobrimento do Brasil. Parece incrível, mas no ano de 1721, iniciaram-se os primeiros episódios do que hoje é o município de Quatá.
Tudo começou quando o senhor Pascoal Moreira Cabral, descobriu as Minas de Ouro  de Cuiabá. O bandeirante Bartholomeu Paes de Abreu, pai do culto linhagista senhor Pedro Táques, requereu às autoridades permissão para abrir uma estrada visando encurtar a distância entre São Paulo e Cuiabá, cujo tráfico estava sendo feito via fluvial. Obtida a permissão, iniciou a arrojada aventura.
Quando o sertanista se achava a uma distância de oitenta léguas de Sorocaba, chegou ao seu conhecimento que o Governador da Capitania, concedera a Gabriel Antunes Maciel, a abertura do mesmo caminho, com o direito de explorar as passagens dos Rios. Porém, este desistiu da concessão, e ela foi dada aos senhores Sebastião Fernandes do Rêgo, Manoel Gonçalves de Aguiar e Manoel Godinho de Lara. Que nada fizeram. Somente o senhor Luís Pedroso de Barros, primo irmão da mulher de Bartholomeu Paes de Abreu, conseguiu terminar a empreitada, tendo aproveitado os trabalhos do parente de sua mulher.
A picada aberta por Bartholomeu Paes de Abreu seguiu o rumo Oeste, em direção à barra do Rio Pardo, no Rio Paraná, tendo passado por Sorocaba, Botucatu, atravessando os campos de Avaré, Lençóis, São Matheus, até acompanhar o curso do Rio Santo Anastácio. Portanto, esta picada devia ter cortado os afluentes do São Matheus: Bugio e Santo Anastácio.
Este rumo foi seguido pela Comissão nomeada em dois de novembro de 1892, para abrir uma estrada até as barrancas do Rio Paraná, cujo chefe foi o engenheiro Olavo Hummel. Porém, a estrada foi aberta em 1904, pela firma TIBIRIÇÁ-DIEDERICHSEN, que teve inicio no Ribeirão São Matheus, em terras de Quatá.
Em 1888, foram concluídos os trabalhos de demarcação do imóvel Monte Alvão, para os efeitos de legitimação requerida pelo Coronel Licínio Carneiro de Camargo, e o Tenente Coronel José Rodrigues Tucunduva. A abertura foi de um picadão, da atual divisa entre aquele imóvel e a Fazenda Santa Lina.
Durante a execução dos trabalhos, encontraram uma trilha que, saindo da Estação Ferroviária de João Ramalho, atravessava o Rio do Peixe, chamado “Caminho dos  Macaúbas”.
Este caminho foi aberto pelos índios, como via de comunicação entre as aldeias do Rio Feio, Rio do Peixe e Paranapanema, e foi encontrado pelo senhor José Maria de Oliveira Roxo, em 1906.
O senhor José Maria Roxo, descobriu o lugar durante trabalho de levantamento do Imóvel São Matheus, cujo processo divisório foi homologado por sentença em 1908, na então comarca de Campos Novos.
O Tenente Coronel Tucunduva, sertanista e homem progressista fez várias tentativas de colonizar estas terras, mas os esforços despendidos fracassaram, ante as várias circunstâncias de ordem política, e pelo ambiente ainda prematuro para a realização de um problema de tamanha envergadura.
Quando a Estrada de Ferro chegou à Santa Cruz do Rio Pardo, o Tenente Coronel Tucunduva, trabalhou para a ligação da fazenda Monte Alvão, a fim de tentar realizar definitivamente o seu sonho colonizador. O Senado Estadual aprovou o Projeto, mas foi derrubado na Câmara em 1909. O dito projeto foi combatido, para levantar oposição ao Governo de Albuquerque Lins.
O engenheiro Eduardo Loschi, foi à Itália para contratar famílias, e o senhor Amador Nogueira Cobra, já falecido, foi nomeado  consultor jurídico da colonização. Ambos foram gratificados com 8.533 alqueires pelos serviços prestados.
Os mineiros, José Antônio de Paiva e Manoel Pereira Alvim adquiriram as terras do senhor José Theodoro de Souza. Adquirida as terras, a povoaram, trazendo do Estado de Minas Gerais, vários agricultores. Instalaram-se nas zonas dos campos, no curso inferior do rio, para estarem livres dos ataques dos índios.
Ali também se hospedaram a família dos Nantes, que adquiriram o imóvel Jaguaretê e os senhores Domingos de Medeiros e José Custódio Venâncio, eram proprietários dos imóveis Anhumas e Laranja Doce.
Em razão dos constantes ataques dos índios, faziam roças naquelas longínquas propriedades mantendo, porém, suas famílias na fazenda dos Paivas, em São Matheus. O senhor José Antônio de Paiva abriu a fazenda denominada de Colonião, e Manoel Pereira Alvim, estabeleceu-se no Bugio.
No lugar denominado Serra Preta ele plantou dois mil pés de café, e foi assassinado pelos índios. Também o senhor José Antônio de Paiva sustentou lutas atrozes contra os selvagens.

A CHEGADA DO HOMEM BRANCO
A penetração dessas áreas pelos colonizadores brancos, impulsionados pelo espírito de aventura e pela ambição do grilo da terra de ninguém, a partir dos últimos decênios do século XIX, iria assinalar um longo período de conflitos com os índios.
Dizem alguns testemunhos mais antigos, como registra Francisco de Barros Júnior, na sua série de reportagens intitulada “Caçando e Pescando Pôr Todo o Brasil, editada pelas Edições Melhoramentos, que: a princípio os índios eram mais tratáveis, porém, os desbravadores desse sertão os aprisionavam para escravos, tomando-lhes as mulheres e as filhas, e destruindo-os a ferro e a fogo. 
Os atrevidos aventureiros iam pôr conta própria, ou pôr conta de potentados paulistas, para tomar posses, criar usucapião, levantando ranchos nas cabeceiras de ribeirões, seguindo-lhes o curso até sua confluência com torrentes maiores, abrindo precárias fazendas de café, levantando habitações frágeis de pau-a-pique e plantando pimenteiras, bananeiras, mandiocas, fazendo poços e cacimbas para documentação de futuros “grilos gigantescos, cujas divisas eram de um lado o Rio do Peixe e, de outro, o Rio Feio (Aguapeí), ou este o Tietê. Muitas dessas posses fizeram parte do registro centenário das “Cartas de Sesmarias”.
As lutas desses pioneiros da conquista do Sudoeste Paulista, que tanto se assemelharam às dos bandeirantes de dois séculos antes, foram trabalhosas e, não raro, se acercaram dos limites do heroísmo. O acampamento, derrubada da mata para a delimitação da clareira, vivia no sobressalto das noites sem lua, em que os Caingangues, piando como macuco, para despistar o branco e cercavam em silêncio as palhoças do branco, e as reduziam a cinzas, no ataque brusco e indefensável que desencadeavam em meio à infernal gritaria coletiva. No dia seguinte o quadro era terrível: habitações incendiadas, queimadas as plantações, cadáveres horrivelmente mutilados e espalhados pelo terreiro.
Assim como a selvageria Caingangue, marca a pré-história de Quatá, pode-se dizer que o episódio de Manoel Pereira Alvim corresponde a sua proto-história. Entre essas fases, colocam-se os esforços para a demarcação desse pólo de formação de Quatá, que foi o imóvel Monte Alvão. 
Já em 1721, quando o ouro de Cuiabá incendiava a imaginação dos paulistas, um famoso bandeirante, Bartholomeu Pais de Abreu, pai do linhagista Pedro Taques, requereu ao governo da Capitânia, autorização para abrir uma estrada que ligasse a Vila de São Paulo, à longínqua região cuiabana, como alternativa para a sofrida viagem fluvial das missões via Rio Tietê. A picada aberta pelo bandeirante alcançou oitenta léguas adiante de Sorocaba. A obra foi retomada pôr Luiz Pedroso de Barros, primo irmão da mulher de Bartholomeu Pais de Abreu, e seguiu além de Botucatu, pelos campos de Avaré, Lençóis e do Rio São Mateus, onde cortou os afluentes deste Ribeirão do Bugio e de Santo Inácio, até atingir a faixa paralela do Rio Santo Anastácio e atingir os páramos distantes do Rio Pardo, na margem direita do Rio Paraná.
A partir de então, a terra dos “coroados” ficou riscada pelos dois caminhos em cruz: A trilha Caingangue dos  Macaúbas no sentido transversal aos Rios Aguapeí, Peixe e Paranapanema, e a trilha civilizada dos bandeirantes, pôr sobre o espigão entre o Rio do Peixe e o Paranapanema. Esta vereda seria retomada em 1892, pela Comissão Governamental chefiada pelo Engenheiro Olavo Humel, incumbida de abrir estrada carroçável até as barrancas do Rio Paraná, obra que acabou sendo executada em 1904, (ano em que mais ao norte, no espigão entre o Aguapeí e o Tietê, tinha início a partir de Bauru, à construção da Estrada de Ferro Noroeste) pela Companhia de Aviação São Paulo/Mato Grosso, de propriedade dos sócios Tibiriçá-Diederichsen.
O trecho de estrada a cargo dessa empresa tinha seu início no Ribeirão São Matheus, em terras do atual município de Quatá, que então estavam incorporados ao velho e lendário município de Conceição de Monte Alegre. Essas estradas, e a demarcação do imóvel Monte Alvão deram início ao desbravamento e à ocupação de Quatá.

FUNDAÇÃO DO POVOADO
Em 10 de outubro de 1916, foi aceito e aprovado, o plano de partilha de glebas de que participaram os senhores: Paulo Barreto, Luiz Pereira Barreto, Luiz Pereira Filho, Aquino de Castro e Luiz de Vasconcelos.
O primeiro ocupou sua propriedade, estimulou a cafeicultura com o plantio de 10.000 pés de café. Os demais picaram seus lotes, e os venderam a fazendeiros cujos descendentes até hoje residem no município de Quatá.
A região começou a ser procurada pôr correntes migratórias vindas de outras cidades, da chamada Boca do Sertão (Santa Cruz do Rio Pardo, Assis, Campos Novos Paulista, Avaré), bem como pôr trabalhadores italianos, que tiveram imensa influência na consolidação econômica de Quatá. Ao mesmo tempo, do lado direito do Rio do Peixe, fronteando as terras quataenses foram se estabelecendo os Letões, refugiados da revolução russa, que formaram as colônias agrícolas protestantes da Varpa e da Palma, do hoje município de Tupã. Depois destas ocupações, o campo devastado recebeu o nome de QUATÁ.
A procedência das pessoas que povoaram o município, são de diversas partes do país, inclusive portugueses, que chegaram em grande quantidade a partir de 1915.

AS PRIMEIRAS CONSTRUÇÕES
As primeiras casas foram construídas no divisor dos rios Peixe e Paranapanema, à Rua Monte Alvão, hoje Comandante Saltado. Este lugar era o limite extremo do primeiro povoado.
Em 23 de junho de 1919, José Gonçalves de Almeida, adquiriu de Rafael Antônio de Oliveira, uma área de terras com 199 alqueires, e no mesmo ano iniciou a derrubada da mata, plantando café.
 Em 1920, loteou para terreno urbano, a faixa de terras limitada pela Rua Comandante Salgado e, em 1922, construiu um prédio para hotel, que foi o primeiro estabelecimento da nascente cidade. Foi nesse loteamento que o senhor Guido Pécchio, vindo de Avaré, construiu a primeira casa de tijolos, na qual montou uma oficina de sapateiro. Mas a cidade, na sua maior extensão, estava situada em terras pertencentes ao imóvel São Matheus, numa gleba que pertencia à firma Maia, Guimaro & Barbeiro.
Esta área foi adquirida por Nestor França, nas cabeceiras do Ribeirão Bugio. Lotearam a parte compreendida entre o leito da Estrada de Ferro Sorocabana e a Rua Comendador Salgado. Cada quadra continha oito datas de 22 metros de frente, por 44 metros de fundo. Os lotes foram vendidos por CR$ 100,00, em prestações.
A cidade agradava pela topografia, pelo clima e pela disposição de suas ruas e praças, amplas e arborizadas. Do alto da cidade, a vista abarca uma natureza incomparável. O primeiro rancho levantado foi de Júlio Paixão, o qual chefiava uma turma de serradores de dormentes. Nesse rústico rancho, que serviu como a Agência de Correios improvisada, o senhor Júlio Paixão distribuía a correspondência, aos primeiros habitantes de Quatá.
 Destaca-se, no quesito construção civil, o edifício Getúlio Vargas que tem um valor histórico e político para Quatá. Sua importância pode ser comparada a do Edifício Itália para São Paulo. O Edifício Getúlio Vargas já foi sede de muita coisa, como do Partido Social Democrático (PSD), do Quatá Futebol Clube, Biblioteca e Escolas.

ORIGEM DO NOME
O nome da cidade de QUATÁ é originário de uma espécie de macaco (bugio), outros dizem ser o (macaco-aranha) que habitava as matas da região, e emitia um som característico: Qua...tá  Qua...tá.e que foi adotado pelos antigos moradores, como nome do lugar.
O quatá é o maior macaco brasileiro, da família dos cebídeos, com membros compridos e finos, cauda peluda e longa, face nua e polegar ausente também conhecido por macaco-aranha.
O nome quatá é onomatopeico lembra o som que o macaco dessa espécie produz e que o diferencia de outros símios da Mata Atlântica. 

CRIAÇÃO DO DISTRITO
O povoado foi tomando impulso e, no dia 18 de dezembro de 1924, através do Decreto Lei Estadual nº 1998, o povoado foi elevado à categoria de Distrito de Paz, pertencente ao município de Conceição do Monte Alegre, na comarca de Assis.
Sua instalação realizou se solenemente em 09 de março de 1925.

CONSTRUÇÃO DA NOVA IGREJA MATRIZ
O grande número de fiéis fez com que se fomentasse o desejo de ser construída uma nova sede para a Igreja Matriz. Para isso foi organizada uma Comissão que trabalhou na direção dos serviços, desde os seus alicerces até o final.
Esta Comissão foi formada pelos senhores: Manoel Maria, Gil de Oliveira, Manoel Henrique da Costa Júnior, Francisco Vieira Nogueira, Oscar Soares, Agostinho Conde, Antônio Silva e Carlos Eugênio de Freitas, além dos reverendos, Padre João Kivillus, Padre Felix das Dores Ortegas e Padre Alfeu Piccard.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Com o crescente progresso do Distrito, e depois de um trabalho paciente e árduo do senhor Luís Gagliardi, para que o distrito se emancipasse, conseguiu o objetivo de criar o município.
Em 04 de novembro de 1925, através do Decreto Lei Estadual nº 2073, o Distrito de Paz foi elevado à categoria de Município, desmembrando se do antigo e extenso município de Conceição de Monte Alegre, que acabou sendo dividido ao meio. Sua instalação ocorreu solenemente em 16 de janeiro de 1926.
As divisões territoriais de 31 de dezembro de 1936, a de 31 de março de 1938, e de 31 de dezembro de 1939, definiram o novo município atribuindo-lhe dois distritos, o de João Ramalho e o de Quatá que ficou sendo a sede.

ATA DE INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO
Aos dezesseis dias do mês de janeiro de 1926, na sala do Paço Municipal, presente o M.M Juiz de Direito da Comarca, Dr. Vasco Smith de Vasconcelos, servindo eu abaixo-assinado de escrivão ad-hoc, ás 16 horas foi pelo M.M Juiz de Direito, dada posse aos vereadores:  Bartholomeu Nogueira Brando, Júlio Paixão, Josué Gil de Oliveira, José Gonçalves de Almeida, José Gagliardi e Virgílio Dalla Pria. Nada mais havendo a tratar, mandou o M.M Juiz lavrar à presente ATA que vai por ele assinada, pelos vereadores e por mim, João Carlos de Godoy que a escrevi. O senhor José Gagliardi foi o primeiro Prefeito de Quatá.
No entanto retirou-se bem cedo das campanhas políticas, porque pertencia a uma outra época, desaparecida do cenário político local. Refugiou-se no seu passado, para viver na sombra e no isolamento.

CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DA COMARCA
No ano de 1944, um grande acontecimento marcou a história de Quatá: a criação da Comarca. O senhor Antônio Silva, prefeito na ocasião, soube ganhar a soma indispensável de autoridade moral e material, para conduzir o município ao seu destino glorioso.
Um dos impasses para que fosse instalada a Comarca de Quatá, foi que as Autoridades Jurídicas entendiam que a cidade estava muito próxima de Paraguaçú Paulista e Rancharia, e por isso, não comportava uma nova entidade judiciária. Porém, ao assumir a direção do município, Silva realizou diversas obras, mas levou suas atenções realmente quanto à criação da Comarca.
Em 30 de novembro de 1944, através do Decreto Lei Estadual nº 14.334, foi criada a Comarca no município de Quatá. Sua instalação ocorreu solenemente em 13 de junho de 1945.
Na solenidade de instalação estiveram presentes, o então prefeito Antônio Silva, José Macedo, Professor Antônio Mazei e Jonatas Pereira, que discursou em nome de todos os prefeitos presentes, além do Coronel Tenório de Brito e o jornalista Mário Pacheco.
O primeiro Juiz de Direito da Comarca de Quatá, foi o Dr. José Duílio Nogueira de Sá e os primeiros cartorários da comarca foram: Cartório Civil e de Casamento, Cirilo de Almeida Sampaio, Cartório de Registro de Imóveis, Cel. Flamingo Ferras Barbosa Primeiro Oficio, Plínio Marim, no Segundo Oficio, Josina Goulart Pinheiro Contador, Partidor e Distribuidor, Hélio Pécchio Oficiais de Justiça Paulo Pires Silveira e Mário Custodio Moreira.

PRIMEIROS REGISTROS
O primeiro casamento realizado na cidade foi celebrado em 27 de março de 1925, do casal Joaquim de Araújo Vallim e Francisca Soares do Amaral.
O primeiro registro de nascimento foi feito em 9 de março de 1925, sendo registrada a menina Inês, filha de José Tófolli e da senhora Palmira Ferracini.

A MAIOR E MAIS IMPORTANTE FAZENDA
A Fazenda Lina, foi incontestavelmente a maior Fazenda da Alta Sorocabana.
O Fundador
Foi fundada em 1916, pelo saudoso Comendador José Giorgi. Oriundo de uma família proveniente de Luca, na Itália, José Giorgi nasceu naquela cidade, em 13 de dezembro de 1866.
Esta grande propriedade agrícola, denominada antigamente de “Fortuna” pertencia primitivamente a Francisco de Paula Moraes, proprietário de toda a bacia fluvial do Rio do Peixe.
Em 1887, a viúva e os herdeiros do antigo posseiro, venderam ao Capitão José de Barros Camargo e Joaquim de Oliveira Lima, o imóvel representado hoje pela Fazenda Santa Lina e pela fazenda Fortuna, sendo a primeira de propriedade dos herdeiros do Comendador José Giorgi e a segunda, dos herdeiros e sucessores do falecido João Kobal.
O comendador José Giorgi adquiriu em 1915, da senhora Idalina de Barros Oliveira e outros, uma área de 1.646,25 alqueires, e, em 22 de junho de 1916, adquiriu do Capitão José de Barros Camargo uma área de 1.647 alqueires, com mais aquisições feitas em imóveis confrontantes. A área global da fazenda alcançaria o respeitável volume de 4.059,19 alqueires.
Toda esta imensa área de terras, em 1916, era totalmente recoberta de uma majestosa floresta virgem, habitada ainda por silvícolas, cujos toldos ficavam localizados nas margens do Rio do Peixe, extremo limite norte da Fazenda. Em 1916, foram derrubados 50 alqueires de terras, nas proximidades do Espigão divisor com as vertentes do Ribeirão Sapé, e foi montada uma grande cerâmica para fabricar o material necessário à construção das obras de arte do prolongamento da Estrada de Ferro Sorocabana.
 Foram plantados 50.000 pés de café, a primeira lavoura cafeeira da Alta Sorocabana. Posteriormente foram plantadas mais áreas de café. Essas diversas variedades foram plantadas em talhões distintos, permitindo calcular a produção média anual de cada espécie.
As casas das colônias eram cômodas, confortáveis, higiênicas, providas de luz elétrica e dependências para as criações pertencentes aos colonos. O terreiro para a secagem do café foi construído num só plano e obedecia sua orientação ao rumo do alinhamento do café. Caprichosamente ladrilhado, possuía uma área de 24.444 metros quadrados. Ao lado inferior existiam três grandes tulhas revestidas com paredes de tijolos, sendo que o café seco era transportado por vagonetes, que correm em pequenos ramais férreos, com a bitola de M. 0,60. A sede da fazenda estava ligada à Estação Ferroviária Santa Lina com um ramal férreo e com boa estrada para automóveis.
Em fevereiro de 1924, o Governo do Estado criou as Escolas Reunidas, instaladas em amplos salões, cujo primeiro diretor foi o professor José de Arimatéa Machado. Depois, foi dotado de um Grupo Escolar, com quatro classes em prédio próprio.

VISITANTES ILUSTRES NA FAZENDA
O Governo Italiano, em 1920, querendo prestar ao Brasil, um atestado de gratidão pelo relevante concurso prestado durante o conflito mundial de 1914 a 1918, enviou as costas brasileiras o “Encouraçado Roma, sob o comando do Capitão Augusto Capon. Para emprestar maior prestigio a essa visita, fez acompanhar a expedição, Sua Alteza Real Príncipe Aimone de Savóia  Aosta, Duque de Espoleto, filho do grande herói Duque de Aosta, que tombou heroicamente nos campos de batalha na África, durante a última conflagração.
Durante a sua permanência na capital do Estado, o jovem Príncipe quis conhecer as belezas do interior, e para agradá-lo, o Governo do Estado pôs a sua disposição um trem especial para percorrer toda a linha da Sorocabana. Foi escolhida esta região pelo fato de existir em Cardoso de Almeida, a “Vila Giorgi”.
Após uma permanência em Cardoso de Almeida, o Príncipe chegou no dia 29 de setembro de 1920, em Santa Lina. Ele percorreu o cafezal e visitou as primeiras casas colônias em construção. De Santa Lina, seguiu até a ponta dos trilhos, atravessando as mais opulentas matas do então lendário sertão de Paranapanema.
Em 24 de abril de 1924, o Embaixador Extraordinário de Sua Majestade, o Rei da Itália, João Ciuriati, chegou a Santa Lina. Foi saudado pelos alunos das Escolas Reunidas à frente das quais estavam os professores: Henrique Zolner Netto e José de Arimatéa Machado, que pronunciou discurso de boas vindas. Depois desta estada, voltou a Cardoso de Almeida, e no dia seguinte, seguiu para o Porto Tibiriçá, na fronteira do Estado de Mato Grosso.
No dia 21 de janeiro de 1925, chegava a Santos o Comendador Mastro Mattei, ilustre Vice-Comissário da Imigração Italiana, enviado pelo Governo para examinar e estudar a situação do mercado de trabalho no Brasil afim de encaminhar levas de operários, e técnicos  agrícolas ao país.
Visitou em seguida a Fazenda, e fez também uma excursão a cavalo até o Rio do Peixe. Com relação à organização interna, definiu como “Uma poderosa agremiação de trabalho, ligados por vínculos sociais e econômicos que montam a sociedade moderna”.

REVOLUÇÃO DE 1924 - O TRÁGICO EFEITO NA FAZENDA
Os efeitos da revolução de 1924, fizeram se infelizmente sentir na Fazenda Lina, com saques, roubos, espancamentos e defloração. Os fugitivos, ébrios pelo fracassado movimento, entregaram-se a saques e desmandos inqualificáveis.
No dia 5 de agosto, começaram passar pela estrada de ferro, as primeiras forças revoltosas. No dia 10, um contingente revolucionário composto por cerca de 100 homens, e comandado por um tenente de nome Rafael, ficou acampado na Cerâmica, na proximidade da Estação Ferroviária.
No dia 13, as forças do Cel. Miguel Costa chegaram pela madrugada, que foi o célebre autor do saque da fazenda Cardoso de Almeida. No dia 14, quatro soldados armados de carabina trouxeram para a sede da fazenda, preso, o oleiro João Dias Gonçalves, e invadiram a casa do administrador Manoel Inácio. Depois disso, realizaram diversos atos de vandalismo e roubo, em outras propriedades. Por conta disto, muitas famílias fugiram das próprias casas, refugiando-se em ranchos nas proximidades do Rio do Peixe.
Somente no dia 19, as forças do Cel. Miguel Costa deixaram a fazenda. Ao amanhecer, no dia seguinte, o Tenente  Cabanas tinha chegado à Quatá, e mandou o tenente ir buscar um boi e quatro carroças com burros e arreios. Este tenente estava acompanhado de vários soldados e, pelo caminho, davam tiros a esmo, ameaçando de morte, o guarda-livros da fazenda, Henrique de Araújo.
Na praça da fazenda, realizavam violentos e cerrados tiroteios que matou algumas pessoas. Foi então que o Tenente  Cabanas ordenou a retirada das forças, para arrasar a fazenda, mas o Padre Landell de Moura, que o acompanhava, aconselhou que não cometesse tamanho crime.

REGISTROS DO HISTORIADOR - LINHA DO TEMPO
No dia 30 de janeiro de 1942, no salão nobre do Departamento das Municipalidades, na Capital, em sessão solene, e com a presença do senhor  Gabriel Monteiro da Silva, então Diretor daquele Departamento, do Senador César Lacerda de Vergueiro, Coronel Tenório de Brito, José Testa, Diretor do Departamento do Café, padre André Aguirre, Arlindo Maio Lelo, Luís Pena, Prefeito de Paraguaçú Paulista, Batista Berbet, o Prefeito de Regente Feijó, Caio Monteiro da Silva, Lourenço Dessimoni, Mário Penteado, José Carlos Ribeiro de Andrade e uma caravana de Quataenses composta por: Manoel Álvares Lomba, Antônio Dessimoni, Manoel Pires Delgado, Oswaldo Gil de Oliveira, Antônio Ribeiro, entre outros, foi empossado no cargo de Prefeito de Quatá, o farmacêutico Antônio Silva.
Á noite, o prefeito Antônio Silva, e os demais quataenses que se encontravam na capital, foram homenageados com um jantar oferecido pelo senhor Vergueiro, na tradicional mansão da Rua Jandaia.
Em 3 de fevereiro deste mesmo ano era inaugurada a Estação Ferroviária local. À tarde desse mesmo dia, assumia o Governo Municipal o novo prefeito, Antônio Silva, que foi saudado nessa ocasião pelos senhores: Loureço Dessimoni, Antenor Assunção, Prefeito de Paraguaçú Paulista, e pelo jornalista Mário Pacheco. Tal nomeação representava uma nova esperança para o município de Quatá. Foram 15 dias de acontecimentos marcantes.
O novo prefeito recebeu do Governo do Estado, um auxílio de CR$ 50.000,00 para o inicio das obras do jardim da Praça da Matriz, e ainda dois auxílios de igual importância cada um, para aquisição do terreno da Praça de Esportes local, e inicio dos serviços de água do Distrito de João Ramalho.

OUTROS EMPREENDIMENTOS
- Construção do prédio para cinema e teatro “Edifício Getúlio Vargas.
- Campo de Aviação e Escola de Pilotagem.
- Associação Recreativa do Clube XV de Novembro.
- Construção do Matadouro Municipal.
- Instalação de rede de água e Posto de arrecadação no Distrito de João Ramalho.
- Calçamento do pátio da Estação da Ferroviária local.
- Construção do novo Grupo Escolar da cidade, e de numerosas escolas rurais.
- Instalação do posto da Companhia Telefônica Brasileira.
- Instalação do Posto de Saúde Municipal e posteriormente do PAMS Estadual.
- Reforma da Agência do Correio.
- Fundação do Jornal Correio de Quatá.
- Reconstrução das estradas e pontes.
- Construção da Igreja Matriz.
- No dia 15 de outubro de 1943, o então Diretor Regional das Agências Postal dos Correios, Gervásio Gonçalves Galisa, realizou visita em Quatá. Na época a Agência estava sob a direção do Agente Postal, Antônio José de Alencar.

Fontes:
- EMUBRA - Enciclopédia Municipal Brasileira
 Núcleo de Referência da História do Oeste Paulista.
- Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal.
- Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Apoio:
- Prefeitura Municipal de Quatá.
Gentílico: Quataense
 

GALERIA DE PREFEITOS

 

JOSÉ GAGLIARDI 16/01/1926 à 14/01/1927
JULIO PAIXÃO 15/01/1927 à 14/01/1928
DR. JOSÉ PIRES DE ALMEIDA 15/01/1928 à 14/01/1930
MANOEL ROCHA 15/01/1930 à 26/10/1930
DR. OSWALDO SILVA LOUREIRO 27/10/1930 à 14/01/1932
DR. GIL JUNQUEIRA MEIRELLES 15/01/1932 à 09/04/1932
JONATHAS PEREIRA 10/04/1932 à 18/07/1932
BARTOLOMEU NOGUEIRA BRANDO 19/07/1932 à 14/12/1932
JONATHAS PEREIRA 15/12/1932 à 26/02/1933
MANOEL ROCHA 27/02/1933 à 25/12/1933
BARTOLOMEU NOGUEIRA BRANDO 26/12/1933 à 15/04/1934
JONATHAS PEREIRA 16/04/1934 à 24/05/1934
PASCHOAL SCHIAVO 25/05/1934 à 27/08/1934
JONATHAS PEREIRA 28/08/1934 à 20/04/1936
FRANCISCO VIEIRA NOGUEIRA 21/04/1936 à 19/10/1936
JONATHAS PEREIRA 20/10/1936 à 05/02/1938
DR. LOURENÇO DESSIMONI 10/05/1938 à 02/02/1943
ANTÔNIO SILVA 03/02/1943 à 18/04/1943
JOSINO NOGUEIRA PIEDADE 22/09/1944 à 22/11/1944
FRANCISCO VIEIRA NOGUEIRA 30/06/1946 à 31/10/1946
JOSÉ PAGIANOTO 30/03/1947 à 18/04/1947
SEBASTIÃO OLIVEIRA CARVALHO 19/04/1947 à 28/06/1947
OSWALDO AMORIM RODRIGUES 29/06/1947 à 05/11/1947
JOSÉ PAGIANOTO 06/11/1947 à 31/12/1947
ANTÔNIO SILVA 01/01/1948 à 31/12/1951
FRANCISCO VIEIRA NOGUEIRA 01/01/1952 à 31/12/1955
SIFRIDO AVEROLDI 01/01/1956 à 31/12/1959
BENEDITO DALLA PRIA 01/01/1960 à 31/12/1963
SIFRIDO AVEROLDI 01/01/1964 à 31/01/1969
MODESTO CARONI 01/02/1969 à 31/01/1973
SIFRIDO AVEROLDI 01/02/1973 à 31/01/1977
DR. DEVANER MAIS 01/02/1977 à 31/07/1982
CLODOMIRO AUGUSTO F. NEGRÃO 03/08/1982 à 31/01/1983
DR.TONEU ANTÔNIO REIS C. NUCCI 01/02/1983 à 31/12/1988
JOAQUIM ALVES 01/01/1989 à 31/12/1992
FRANCISCO CAETANO FERREIRA FILHO 01/01/1993 à 31/12/1996
JOAQUIM ALVES 01/01/1997 à 18/11/1998
MARCOS PEREZ 19/11/1998 à 31/12/2000
MARCOS PEREZ 01/01/2001 à 19/07/2004
ANTÔNIO CERQUEIRA DE SOUZA 20/07/2004 à 31/12/2004
DR. MARCELO DE SOUZA PÉCCHIO 01/01/2005 à 31/12/2008
DR. MARCELO DE SOUZA PÉCCHIO 01/01/2009 à 31/12/2012
LUCIANA GUIMARÃES ALVES CASACA 01/01/2013 à 31/12/2016
DR. MARCELO DE SOUZA PÉCCHIO 01/01/2017 à 31/12/2020

OBS.: O Sr. JOSÉ GAGLIARDI foi o primeiro Prefeito de QUATÁ




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